Antes tarde do que nunca

Seguindo a minha linha editorial de buscar sempre a crítica construtiva a fim de contribuir com o desenvolvimento do esporte e da sociedade, coloco meu ponto de vista sobre o anúncio do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), nesta quarta-feira (23/07), sobre o investimento de USD 600 milhões para atingir o objetivo de terminar os Jogos Olímpicos Rio 2016 entre os 10 primeiros colocados no quadro de medalhas. 

Em teoria, o investimento inédito no desenvolvimento dos atletas é algo que deve ser comemorado. Na prática, no entanto, receio que não haja tempo para que os resultados sejam obtidos a tempo. Lembremos que faltam pouco mais de dois anos para o evento. Pena que essa notícia não tenha sido dada há dois anos.

Fui atleta semi-profissional e entendo um pouco de preparação esportiva para afirmar que em 700 dias não se faz um campeão. Ainda que já tenhamos atletas de nível internacional com reais chances de medalhas, não consigo visualizar como – em que modalidades – iremos aumentar consideravelmente o número de campeões. 

Isso porque, historicamente, o Brasil sempre se destacou em algumas modalidades olímpicas. Nesses esportes, sim podemos melhorar os resultados e atingir mais medalhas. Por outro lado, naquelas que não temos tradição, não nos iludamos de que um investimento – ainda que pesado – nos fará atingir os níveis dos adversários em tão pouco tempo. 

Sei que teremos sucesso na natação, vôlei, vôlei de praia, futebol, iatismo, judô, hipismo, alguns eventos de atletismo, talvez basquete. Outras, as chances são altas, como boxe, pentatlo, handebol. Porém, me custa acreditar que teremos estrelas com chance de medalhas na canoagem, triathlon, levantamento de peso, tae-kow,do, golfe, rugby. E são essas as modalidades que nos farão dar um salto qualitativo – e quantitativo para atingir o objetivo proposto. 

Talvez fique aqui uma dica prática: para atingir a meta de ficar entre os 10 melhores em tão pouco tempo, que se concentre todo o investimento nas modalidades onde já temos condições de estar entre os primeiros, sobretudo nos esportes individuais – em que há maior distribuição de medalhas – como judô, natação, atletismo. Vale a reflexão!

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