River Plate 2.0

Apesar da semana intensa de trabalho em Buenos Aires, reservei um tempo na minha agenda para visitar um grande amigo, que recentemente assumiu a diretoria geral do River Plate.

Ciente da sua capacidade profissional, aliada à paixão dele pelo clube, fiquei bastante entusiasmado em conhecer melhor o trabalho que tem realizado para retomar o rumo desse que é um dos times mais tradicionais do futebol argentino e, por que, mundial.

E o que vi foi justamente algo que, nós profissionais de marketing esportivo no Brasil, temos buscado para nossos clubes e entidades. Uma gestão profissional, liderada por talentos reconhecidos do mercado e que trabalham sob metodologia empresarial e sempre com foco no negócio.

A chegada do Gustavo Silikovitch ao comando do River marcou uma mudança de comando e filosofia de trabalho instalado lá havia anos. E para melhor. Apesar de apenas 3 meses no cargo, muito já foi feito. Pude conferir de perto que estão implementando novo modelo de gestão dos funcionários, com estabelecimento d objetivos pessoais e de equipe; também estão revisando os contratos vigentes para identificar oportunidades; estudando maneiras de otimizar os investimentos nos esportes amadores, diminuir inadimplência, entre uma série de outras atividades.

Também testemunhei o desenvolvimento do orçamento 2016, cuja base parte da premissa básica (porém sempre difícil de cumprir em um clube de futebol), de que a arrecadação deve ser superior aos gastos. Orçamento esse que não resume apenas um monte de números vomitados numa planilha de Excel. E sim, utilizando dados embasados, recebidos de estudos das mais diversas instituições de consultoria do país.

O clube pode chegar ai, pois conseguiu dar alguns passos importantes. Primeiro, a chegada de um presidente com experiência empresarial e visão de negócios. Este se cercou de outros dois empresários renomados da Argentina, cuja única intenção é fazer o clube voltar para o seu lugar de destaque. E por fim, trouxeram um executivo de currículo exemplar para gerenciar o dia-a-dia e que também tem trabalhado para mudar a cultura em toda a entidade (inclusive o departamento de futebol).

Nesta estrutura, não há lugar para amadores, ou conselhos inchados de sócios remidos, cujos interesses se resumem em apenas ter uma carteirinha de acesso livre aos jogos. Além, é claro, de vazar declarações para a imprensa sobre negociações de jogadores existentes para se sentirem importantes.

Enfim, hoje o River Plate é gerenciado utilizando o que há de melhor em metodologia empresarial, sem perder a paixão nata de seus dirigentes. Ainda é cedo para colher os frutos, mas certamente essa austeridade e amor irão resultar em muitos frutos – ou títulos – para os seus sócios e torcedores.

Que esse caso possa servir de exemplo para os times brasileiros, afinal os tempos mudaram.

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