Soberania esportiva

Gostaria de propor um debate sobre uma notícia que li nesta semana na imprensa esportiva. Matéria publicada pelo UOL Esporte informava que a Confederação Brasileira de Handebol (CBH) acatou uma “recomendação” da TV Globo para alterar a regra do jogo, com o objetivo de ganhar espaço na grade aberta da emissora na partida amistosa entre as seleções femininas do Brasil e Noruega, no próximo domingo.

Segundo a reportagem, a duração do confronto foi reduzida dos oficiais 60 minutos (2 tempos de 30 minutos) para 40 minutos (2 tempos de 20 minutos).

Como um “ex-esportista em atividade” e profissional de Marketing Esportivo, entendo que este tipo de “acordo” é sempre polêmico e desperta uma discussão sobre os poderes da mídia e sua ingerência na essência do esporte.

Do lado do gestor esportivo, o objetivo nestes casos geralmente são relacionados à busca pelo ganho de relevância e, consequente, atração de investimentos para maior retorno da modalidade. Ou seja, “vale tudo” para se beneficiar da visibilidade entregada pela mídia de massa.

Cases relacionados não faltam: um deles é o voleibol, que no fim da década de 90 e mais recentemente também alterou sua regra (eliminando o sistema de “vantagem”) para gerar mais dinamismo e eficiência nas transmissões televisas. Deu certo! Hoje o vôlei é um esporte que “dá retorno” e que tem grade fixa na TV nacional.

A visão inversa também é válida. Ou seja, se o esporte e todos os seus elementos e atores são os grandes protagonistas do “show”, deveriam eles então proteger de forma mais romântica seu ativo mais importante. Afinal, regras esportivas são criadas considerando aspectos físicos, biológicos, estatísticos e comerciais, em prol da atratividade e da competitividade. Portanto, devem ser preservadas na sua essência e sempre evoluir conforme seu próprio avanço.

Sei que esta é uma visão difícil de aceitar nos tempos atuais. Mas que é necessário refletir sobre o tema, não tenho dúvidas. Não podemos mais estar à mercê de quem não é do ramo esportivo e que enxerga a beleza o esporte simplesmente como um índice fajuto de ibope.

E você, o que acha?

One comment

  1. David, para qualquer esporte necessita ter ídolos e conquistas , mudar a regra não é certeza de sucesso, o voleibol virou segundo esporte no Brasil com conquistas olímpicas e mundiais no masculino e feminino, assim a Globo decidiu apoiar.

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