Globalização do esporte nacional

Em meio as disputas dos Jogos Pan-Americanos Toronto 2015, aproveito a grande visibilidade do evento para repercutir um tema que tem sido abordado pela imprensa – esportiva e de negócios do esporte – já há algum tempo: a “importação” de atletas e treinadores para fortalecer algumas modalidades esportivas brasileiras. Trata-se de um assunto de bastante relevância e, por ser assim, permite uma discussão mais profunda, seja do ponto de vista teórico ou prático. Neste post, porém, me atrevo somente a expor a minha opinião sobre o fato.

A discussão do tema passa pelos motivos que levam um país a buscar profissionais de outras nacionalidades. Ainda que hajam iniciativas bem intencionadas para o desenvolvimento do esporte olímpico, o “establishment” impede que sejam levadas adiante, em prol do futebol.

Isso reflete no desinteresse comercial (talvez neste momento “pré-olímpico” as coisas mudem um pouco), portanto no esquecimento por aqueles que tem o dever de disseminar o esporte para a população. Esse circulo vicioso negativo também prejudica o surgimento de ídolos (ainda que sobrem talentos) e geralmente  é agravado pelo desserviço prestado pelo monopólio televisivo que impera no país, que segue insistindo no erro de omitir naming rights e fazer reserva de mercado. 

Mas voltando ao tema central do texto, não tenho dúvidas de que a “importação” ou “nacionalização” de atletas, treinadores e até dirigentes é salutar para o desenvolvimento do esporte nacional. Seja no quesito performance ou administrativo, só enxergo benefícios em contar com profissionais de outros países – desde que altamente renomados e vitoriosos – trabalhando a nosso favor. Afinal, se queremos melhorar e nos tornar uma potência esportiva, precisamos reconhecer a necessidade de ajuda e buscar as melhores soluções, seja onde elas estiverem.

E o que temos visto é justamente isso. Neste aspecto, há que se reconhecer os esforços das confederações desportivas e do Comitê Olímpico do Brasil para viabilizar esta iniciativa.

Por aqui, modalidades que até pouco tempo nem sequer tinham apelo hoje são referências no cenário mundial: handebol masculino e feminino, polo aquático (feminino e masculino), ginástica, tênis de mesa e, até, natação. Outras, como o basquete masculino, deposita num treinador estrangeiro a confiança para voltar a ser top no mundo.

Esse fenônemo é extensivo ao futebol, inclusive. Não por aqui, mas quem não se lembra da legião de brasileiros atuando no futebol japonês na década de 90? Certamente eles contribuíram para o salto de qualidade que tiveram desde então. Mais recentemente, a própria MLS (Major League Soccer) segue a estratégia de utilizar diversos estrangeiros em suas equipes como pilar para desenvolver a prática entre os norte-americanos.

E melhor disso tudo é que essa gente “gringa” não tira espaço dos locais. Pelo contrário, como exemplos e ídolos, fomentam o novos praticantes, aumentando a chance de surgirem novos craques nacionais.

E esse salto de qualidade não é somente dentro do campo de jogo. Fora dele também há exemplos de sucesso, sobretudo na área da gestão esportiva. É de se louvar o trabalho que tem feito a nova direção do rúgbi brasileiro, sob recentemente entregou a liderança da Confederação a um argentino altamente reconhecido no cenário internacional. A própria parceria da NBA com a NBB também é um exemplo de como a gestão profissional lá de fora pode nos ajudar. Em ambos os casos, os resultados já são visíveis, esportivamente ou administrativo.

Que bom seria se no futebol, ele mesmo, também pudéssemos expandir o leque além das fronteiras e reconhecer que precisamos de ajuda. Dentro e fora das quatro linhas.

4 comments

  1. Não sei se é minha tendência a simplificar demais as coisas, mas acho que os gestores do futebol só terão esse tipo de preocupação quando a crise atingir níveis insustentáveis tanto financeiramente quanto dentro de campo (e acho que está muito próximo!). Também acredito que em outros esportes é necessário uma gestão mais profissional para que eles se mantenham com o mínimo de dignidade. E os resultados estão aí para quem quiser ver…

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  2. Não vejo como vergonha ou demérito reconhecer que há gente de outras nacionalidades com mais capacidade para ajudar em situações de necessidade. Não importa a modalidade nem a função. Todas as nações que fizeram isso ao longo do tempo deram um salto grande de qualidade.

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