Na conta do Paralimpismo!

Aproveito este momento de transição entre os Jogos Pan-Americanos e Para-Pan-Americanos para abrir uma discussão sobre o processo de comercialização dos patrocínios aos Jogos Olímpicos e Paralímpicos. Minha motivação se dá por entender que há algumas falhas neste modelo, que prejudicam o desenvolvimento do evento de maior relevância e visibilidade do para-desporto mundial. Neste post, portanto, tenho a intenção de analisar o modelo de negócios adotado pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), que impacta diretamente no poder de ação do Comitê Paralímpico Internacional (CPI).

A análise vem acompanhada de algumas sugestões que poderiam ampliar o número de marcas envolvidas com as Paralimpíadas, levando assim maior interesse e investimento para o Movimento Paralímpico. É notório que o processo de comercialização dos patrocínios aos Jogos Olímpicos é um dos mais modernos do mercado esportivo. Apesar da complexidade dos ativos negociados e altos valores envolvidos, tem como foco estabelecer verdadeiras parcerias de negócios cujo foco é adotar planos de ativação que contribuam para a viabilização dos próprios Jogos. Tudo isso regado a uma política sem precedentes de proteção de marca ante aos riscos sempre iminentes do marketing de emboscada.

Ou seja, o cenário perfeito e altamente confortável para o patrocinador. No entanto, essa equação de modelo “win-win”possui falhas. E as mais vulneráveis recaem justamente sobre o Comitê Paralímpico Internacional. No meu ponto de vista, elas são:

  1. Ao fechar um patrocínio no nível TOP (The Olympic Partner – empresas de nível global), o Comitê Olímpico Internacional não inclui no pacote a cobertura dos Jogos Paralímpicos. Ou seja, caso a empresa também queira se envolver com a Paralimpíada, teria que negociar um acordo separado com uma outra entidade (no caso, o CPI), desembolsando assim uma nova quantia financeira. Atualmente, dos 11 patrocinadores olímpicos mundiais, somente um também inclui os paralímpicos.
  1. O patrocinador olímpico automaticamente bloqueia o seu ramo de atividade também para os Jogos Paralímpicos, restringindo assim que o Comitê Paralímpico busque um apoiador nesta indústria. Na prática, reduz o inventário de potenciais marcas aptas a se unirem aos Jogos. Ainda que algumas tenham interesse, o simples fato de seu concorrente patrocinar as Olimpíadas já o inabilita seguir em frente.

Há outros detalhes que também contribuem para essa dissonância, mas apesar da complexidade dos fatos acima, as soluções desses problemas, ao meu ver, não deveriam ser difíceis de implementar. Pelo contrário, basta uma dose adicional de bom senso e vontade para ambas as entidades, a fim de adotar um modelo comercial mais eficaz e producente. Na minha opinião, os passos seriam:

  1. Integrar o evento Paralimpíadas no pacote de patrocínio olímpico. Ainda que o valor do investimento fique um pouco mais alto, é mais cômodo para a marca já garantir ambas as propriedades de uma única vez. OBS: esse modelo já é adotado nas comercializações para as empresas nacionais, realizadas pelo Comitê Organizador Local.
  2. Assumir uma separação completa e plena entre os Jogos Olímpicos e Paralímpicos. Ou seja, realizar as Paralimpíadas em anos não-olímpicos e locais diferentes dos Jogos. Apesar da maior complexidade logística, permite ao CPI realizar um evento independente, gerando assim maior interesse e participação comercial.

Que bom seria se os Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020 passassem a se chamar Jogos Olímpicos de (qualquer outro país) 2021.

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