O fim da(s) Copa(s) Sul-Americana(s)

Conforme já expus neste espaço, assisto a jogos de futebol sem nem sequer perceber o que está rolando dentro de campo. Como profissional de Marketing Esportivo, minhas atenções se voltam para tudo que acontece no entorno da partida e de que maneira a comunicação e as marcas envolvidas com o espetáculo estão “conversando” com os seus públicos.

Com este olhar técnico, quase clínico, percebi que a Copa Sul-Americana – uma das competições continentais mais importantes de nossa região -, não possui nem um único patrocinador oficial. Um rápido reparo nas laterais do campo revela que a única empresa visível aos olhos do público é a… própria detentora dos direitos de transmissão (DirecTV)!!! Ela aproveita a ausência de outros interessados para expor a marca de seu website esportivo (goal.tv) nas placas de publicidade.

Aliás, cabe aqui uma outra observação – e recado aos organizadores do torneio. Não deixem espaços vazios atrás dos gols. Fica esteticamente desagradável e desvaloriza o produto. Como dica, sugiro que utilize placas para expor mensagens de cunho social, beneficente ou simplesmente o nome da competição.

Voltando ao tema, é de se preocupar quando uma competição regional não conta com o suporte de nenhuma marca relevante. O torneio, nos últimos anos, perdeu importantes patrocínios de “naming rights” (Bridgestone e Total) e parece que nem mesmo as cotas menores fazem brilhar os olhos dos gestores das empresas interessadas em se associar ao esporte. As causas já conhecemos e incluem, como sempre, a ausência de um modelo de negócios atrativo, que permite ao patrocinador  efetivamente aproveitar os benefícios da propriedade.

Para piorar, diria que não se trata de um “privilégio” da Sul-Americana, afinal a Copa Bridgestone Libertadores também não vê uma logomarca nova em seu rol de patrocinadores há alguns anos. Neste caso, o buraco é mais embaixo. O torneio tem estado nas mãos de uma única agência responsável pela comercialização de suas propriedades. Com sede em local desconhecido e sem presença na América Latina, afugenta possíveis interessados. Ainda que o produto seja bastante atraente.

Enquanto isso, nas competições similares europeias, não param de chegar novos interessados em se associar com os melhores times e jogadores do mundo. Somente nos últimos dias, vimos três gigantes globais – Amstel, Gatorade e Hublot – associarem suas marcas à Liga Europa, equivalente (nem tanto!!!) a nossa Copa Sul-Americana.

Que sirva de reflexão para os dirigentes sul-americanos.

5 comments

  1. Estimado David, felicitaciones por este nuevo resumen que logra en pocas líneas mostrar un problema cada vez mayor del fútbol en Sudamérica: la falta de confianza. En el título de tu post se encuentra el resultado esperado por tanto desmanejo y falta de previsión. Si las copas dejan de ser rentables para los clubes importantes del continente en poco tiempo veremos más interés por jugar amistosos en Europa o USA. Esperemos que se tomen algunos de los buenos ejemplos del modelo UEFA para que nuevamente sea un orgullo y un gran negocio jugar / ganar estas competiciones en Sudamérica.

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    1. Gustavo, coincido con tu comentario y creo sea una tarea de los clubes empezar este movimiento de presion a las entidades. Hemos visto que el modelo actual, en que los detentores de los derechos de los eventos sudamericanos no piensan en acuerdos “win-win”, sin mencionar la falta de transparencia que tanto incomoda las empresas. Cierto que hay interes de las marcas en invertir en eses eventos – aun más con la television fuerte, sin embargo cuando se enteran de los detalles y de quien estas en el otro lado hay una retración natural. Una lastima, pero tenemos que mantener la esperanza de que las cosas iran cambiar. Sólo no podemos ver los dos principales eventos futebolisticos de la region así sin ningun tipo de apoyo comercial.

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  2. David, a crise de confiança é a pior que existe. E isso está latente em relação a Conmebol, e suas competições. Mais do que transparência, associar-se a empresas idôneas para negociação de direitos, desenvolver um novo modelo de negócio e entregas, é preciso rever o produto estruturalmente. Jogos na altitude podem parecer “inclusivos”, mas jogam contra qualidade do torneio. Partidas em campo de carpete (os atletas do Santos FC atuaram contra o JUan Aurich usando tênis de futebol society) são impensáveis. Gol qualificado durante a competição e mudança de critério na final são detalhes q, juntos, formam um conjunto negativo. Daí, os escândalos são a pá de cal que faltava. Grande abraço!

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    1. Neto, como sempre dando uma aula de administração esportiva. Muito obrigado pela interação e opinião. Concordo contigo. Eu tive a oportunidade de patrocinar a Libertadores uma vez e o nível de interação com o detentor dos direitos era de se lastimar. Em vez de adotar uma postura conciliadora e em prol do benefício mútuo, a cada conversa sinceramente não sabia se estava diante de um parceiro ou inimigo. Enquanto isso….gol da Alemanha!!!

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