Lições do football para o futebol

Estive recentemente nos Estados Unidos e testemunhei um período bastante interessante que gostaria de repercutir aqui no blog. Cheguei lá nos dias que antecederam o início da temporada 2015/2016 da NFL, a liga profissional de futebol americano, e  fiquei impressionado com a capacidade da modalidade explorar comercialmente o chamado “off-season”.

A NFL, por exemplo, tem suas partidas disputadas sempre entre os meses de setembro e fevereiro. Nos sete meses seguintes, nada de “touchdowns”. Mesmo assim, consegue manter seus níveis de interesse e visibilidade nos mesmos patamares da temporada regular. Isso, graças a um modelo de gestão eficiente – e inteligente – que sabe aproveitar o apelo emocional causado pela modalidade para sustentar os seus atributos mesmo quando o seu maior produto (jogo) não está disponível!

Um plano eficiente para se manter na crista da onda durante um semestre de abstinência não é fácil, mas convenhamos também não é uma ciência de foguete para profissionais especializados no negócio do esporte. A fórmula geralmente passa pelo uso de uma estratégia de PR arrojada, que inclui realização de eventos espetaculares e o uso adequado das mídias sociais. Um bom licenciamento e a expansão de mercados também contribui. Tudo isso, bem trabalhado, mantém os torcedores engajados, mesmo sem ver os seus times e jogadores em ação. Essa é a fórmula de sucesso do MKT Esportivo.

A NBA, liga de basquete profissional norte-americana, adota a mesma estratégia e mesmo sem oferecer disputas em quadras de junho a outubro (exceto pela pré-temporada), também não demonstra queda na sua atividade comercial e publicitária em relação aos períodos da temporada regular e playoffs.

Tentei estabelecer um paralelo com o nosso futebol aqui no Brasil. Mas infelizmente, tem sido difícil. Com um calendário inchado e composto por competições de baixo nível – técnico e de apelo comercial – como os estaduais e Copa do Brasil, não podemos nos beneficiar do apelo emocional e daquela expectativa saudável inerente a nós torcedores.

Imagine se no ano houvesse somente o Campeonato Brasileiro…nada mais. Nove meses de jogos e três de recesso. Se soubermos explorar essa “gestação” adequadamente, do ponto de vista de gestão esportiva e marketing, muitos dos problemas que enfrentamos hoje seriam resolvidos.

E os 90 dias nos permitiriam explorar a paixão nacional pelo futebol de maneira única, com produtos e ações inovadoras, que poderiam até mesmo abrir um pouco o leque de oportunidades para parceiros comerciais. Certamente colheríamos resultados práticos na temporada seguinte.

Essa ideia pode parecer meio utópica, mas defendo que seria bem interessante e de valor agregado replicar eventos como “draft” (dentro do contexto local), pré-temporadas com começo, meio e fim, road-shows com clínicas dos times e craques pelo país, enfim, prato cheio para os criativos responsáveis.

Sei que o nosso futebol não é o football deles, mas às vezes é bom trocar os pés pelas mãos.

4 comments

  1. David, solamente alguien con tu visión logra ver en cada viaje o evento que te toca participar una serie de conceptos muy importantes para el deporte, y totalmente copiable desde un modelo de gestión serio. En reuniones con equipos ingleses (de futbol, no football) me llamo la atención que ellos manejan cuatro momentos en el año: off season, pre-season, season, y post-season. Cada vez es mas normal que hagan giras promocionales luego de terminar la temporada europea (ejemplo, Manchester City a Canada, o Tottenham a Malasya). Eso se llama aprovechamiento integral del calendario. Y lo mismo hacen con el estadio. No solo lo monetizan los días de partido, sino que tienen eventos, tours, reuniones, etc, durante el resto de los días del año. Por eso te digo, querido amigo, el concepto es copiable, lo que falta es un grupo de gestores que lo entienda y se anime… Un abrazo!!

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  2. Por supuesto, amigo. Estoy seguro que la nueva generación de profesionales de negocios deportivos tiene todo para hacer con que el futbol latinoamericano avance en la ruta donde hoy caminan los mejores en Europa y EEUU. Tu sabes lo que yo me refiero. Abrazo!!

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  3. Um calendário menos inchando certamente melhoraria o nível do futebol brasileiro e, consequentemente, o nível dos times brasileiros em torneios internacionais como Libertadores e etc.
    Os (utópicos mesmo!) três meses de agenda livre, além de criarem uma expectativa que já não temos para início da temporada, e que poderia ser usada para estimular o consumo de produtos relacionados ao futebol, também poderiam ser aproveitados por patrocinadores para ações muito mais criativas, que fatalmente agregariam valor ao investimento no esporte.
    Mas isso tá longe, hein!

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