Nem melhor, nem pior. Rio 2016 será diferente!

A pouco menos de 300 dias para o início dos Jogos Olímpicos Rio 2016, começam a surgir questionamentos pela sociedade e especialistas em gestão esportiva sobre o sucesso do evento. Muitas das incertezas advêm da comparação inevitável com o grande espetáculo proporcionado pelos ingleses há três anos nos Jogos de Londres 2012.

O fato é que não podemos, de maneira nenhuma, estabelecer critérios comparativos para analisar as Olimpíadas do Brasil e concluir se os Jogos serão melhores ou piores do que os realizados na Inglaterra há três anos.

Não faltam motivos para isso:

  1. Cenário macroeconômico: Brasil vivendo uma crise institucional sem precedentes, com reflexos severos na economia, que atingiu em cheio todos os stakeholders envolvidos diretamente nas Olimpíadas. Inclusive o Comitê Organizador Local. Nos anos que antecederam Londres, o Reino Unido viveu pujança financeira e estabeleceu os Jogos Olímpicos como um pilar estratégico de crescimento sustentável do país.
  1. Suporte da Sociedade: há menos de um ano para o início das competições, os Jogos Olímpicos ainda “não pegaram” na sociedade brasileira. Exceto o Rio de Janeiro, percebo uma certa ausência de engajamento ou mobilização social em torno do evento. Aquela “energia” vista pouco antes da Copa ainda não começou, mas certamente aumentará à medida que se aproxima. Em Londres, a sociedade se mobilizou de maneira exemplar e contribuiu efetivamente para o sucesso da operação dos Jogos, sobretudo atuando como “embaixadores” do evento pelas ruas da cidade.
  1. Ausência de ídolos e relevância de modalidades olímpicas: Apesar de ser o “país do futebol”, o Brasil vem ganhando muita relevância em várias outras modalidades, produzindo equipes e ídolos de classe mundial e com reais chances de medalha na Rio 2016. Esse sucesso, porém, ainda não tem gerado o apelo popular necessário para atrair a atenção da sociedade. Mas virá! Na Inglaterra pré-2012, houve uma estratégia para popularizar o “time GB”, que recebeu o suporte patriótico da população, mesmo nos esportes de menor interesse local.
  1. Geografia da cidade e infraestrutura: Os Jogos Rio 2016 serão realizados em quatro regiões da cidade do Rio de Janeiro (Barra da Tijuca, Copacabana, Maracanã e Deodoro), o que ocasionará um grande deslocamento de pessoas pelo sistema de transporte público (que convenhamos está aquém daquele disponível em Londres).
  1. Ativação de Patrocinadores: a crise mencionada no ponto 1 também tem atingido a família de patrocinadores olímpicos e tem feito os gestores revisarem seus planos de ativação. É compreensível que as ações sejam reduzidas ao mínimo necessário para cumprir os objetivos de entregar ao público uma experiência encantadora e inesquecível associada às marcas.

Importante ressaltar que nada do que foi mencionado acima diminui a importância e a expectativa de sucesso dos Jogos Olímpicos Rio 2016. Passamos o mesmo com a Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014 e descobrimos que cada evento é peculiar. Além disso, é fundamental a adequação do planejamento à realidade atual do país, e o entendimento sobre as características da nossa sociedade.

Todo o contexto acima, porém, acaba ofuscado pelas grandes disputas esportivas que iremos acompanhar. Afinal receberemos aqui os melhores atletas do mundo, em suas melhores formas e ávidos por deixar os seus melhores. Portanto, é certo que testemunharemos grandes disputas e quebras de recorde em nossas pistas, piscinas e quadras. Independentemente do que estiver acontecendo fora delas.

Enfim, afirmar que realizaremos Jogos piores, ou melhores não vem ao caso. Entregaremos simplesmente um evento diferente.

2 comments

  1. David, será diferente em que? Não consegui extrair a “diferenciação” dos jogos aqui no Brasil, no seu texto.

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    1. Alessandro,
      Será diferente em vários aspectos, conforme descrito no texto:

      1. Não espere uma ativação massiva dos patrocinadores, como foi em Londres. As marcas farão menos ações, porém, mais focadas e em alguns locais de evento somente.

      2. Facilidade de acesso do público aos estádios: em Londres havia sistema de transporte público para cada “venue”, deixando os espectadores na porta desses locais. No RJ, o público será obrigado a utilizar transportes alternativos e caminhar longos trajetos.

      3. Também exploro a “energia” que o evento cria na sociedade: em Londres era nítido que o povo estava engajado com os Jogos e realmente curtindo o momento. Aqui isso ainda não ocorreu.

      Enfim, há vários pontos. E tudo isso, na minha opinião, não qualifica o evento como melhor ou pior, somente que será diferente.

      Espero ter esclarecido e fico à disposição caso queira manter o diálogo.

      Atenciosamente
      David

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