Análise de dados em campo

Recentemente, tive a oportunidade de conhecer detalhadamente o projeto realizado por um grande time de futebol para integrar o trabalho de inteligência e análise de dados ao dia-a-dia dos departamentos de futebol profissional e amador. E fiquei muito bem impressionado com a seriedade entregue ao tema e a competência dos profissionais responsáveis por levar esta integração adiante. 

Durante a palestra concedida pela equipe analítica – denominada “scouters” – pude aprender sobre a profundidade e a relevância dos dados que devem ser considerados e analisados pelos profissionais da bola para otimizar a performance de seus atletas e, ultimamente, do time como um todo. 

Não se trata apenas de estatísticas rasas, comuns hoje em dia como quantidade de passes certos ou errados, ou chutes com a perna direita ou esquerda. São informações aprofundadas e fortemente embasadas por raciocínios teóricos, como a capacidade do jogador de se adaptar a uma situação de jogo, perfil psicológico, biológico e motivacional, e características fisiológicas que impactam no rendimento dentro de campo. Enfim, são dados bastante ricos e que, se bem utilizados, podem fazer a diferença entre uma equipe vencedora ou não.

O que me deixou mais satisfeito ainda foi saber que toda essa inteligência tem sido aplicada na prática – o que deveria ser obvio, porém, no futebol o obvio não é tão obvio assim. Hoje, neste clube e – acredito em vários outros -, a comissão técnica define seu planejamento de treinos e, até escalações em partidas, segundo esse conjunto de dados analíticos. 

O benefício deste trabalho analítico também se estende à gestão do time, pois oferece à equipe diretiva elementos fundamentais para montagem de um plantel equilibrado e dentro das possibilidades financeiras. Talvez não ofereça uma assertividade plena, mas reduz o risco de erros. 

Diante do mar de notícias negativas e do mau humor do futebol atual, é sempre bom elevar exemplos de modernidade e, diante da equiparidade técnica da modalidade atualmente, contar com a inteligência – como o próprio nome diz – é ser inteligente.

2 comments

  1. Muito interessante esse tema. Realmente a cultura de futebol praticada no Brasil é extremamente centrada no esquema tático e psicológico do time. Mas, creio que, apesar de muito importante, a tática não é tudo. Além da tática, precisam também de um reforço na técnica e também desenvolver um departamento de engenharia esportiva.
    1) O reforço da técnica: Infelizmente é muito comum vermos um time bem posicionado em campo, mas quando chega a hora do passe, o jogador erra. Técnicos e jogadores passam pouco tempo treinando os fundamentos do futebol. O ser humano é uma máquina de automatizar processos. O jogador tem que treinar tanto quanto for necessário para executar a ação sem mesmo se dar conta do que está fazendo. É por isso que os grandes craques passam mais tempo treinando ações básicas do que os outros jogadores. Eles treinam passes, cruzamentos, pênaltis e faltas tantas vezes que quando em campo não precisam mais pensar na manobra. O corpo o faz sozinho e com perfeição. Isso libera o cérebro para pensar na tática.
    2) A engenharia esportiva: Os times brasileiros tem entre seus funcionários muitas pessoas competentes nas áreas de psicologia, biologia e fisiologia. Essas áreas são de grande importância, mas há outras que também poderiam contribuir para o sucesso esportivo, mas que é ignorado. Creio que a criação de um departamento de engenharia esportiva seja capaz de dar uma vantagem sobre os concorrentes. Muito se fala de Ayrton Senna, mas o grande piloto brasileiro da história foi Nelson Piquet. Em uma equipe sem tradição nem recursos significativos, (a Brabham), Piquet conseguiu 2 títulos mundiais utilizando a inovação técnica com o regulamento da competição debaixo do braço. Sem quebrar as regras ele constantemente buscava pensar fora da caixa. Os fabricantes de material esportivo, apesar de eficientes, distribuem suas inovações para todos os times, o que não nos dá nenhuma vantagem. Além disso, seus objetivos são comerciais. Seu objetivo é vender mais material, e não fazer que um time ganhe uma competição. Para eles, é mais importante quanto uma determinada cor impacta nas vendas do que o time que ela patrocina ser campeão. Os times deveriam ter uma equipe constantemente à procura de diferenciais capazes de aumentar o sucesso esportivo. Quem sabe, uma chuteira que possa aumentar a velocidade da bola na hora do chute. Ou uma caneleira que absorva o todo impacto e o distribua por igual. Ou então um sistema que limite o movimento dos tendões evitando a sua ruptura em situações extremas.
    Bem, em resumo, o que quero dizer é que também há outras áreas que precisam ser desenvolvidas e que podem gerar uma vantagem competitiva no campo esportivo.

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