Nem só de ‘Naming Rights’ devem viver as arenas

Na semana passada, escrevi sobre a importância dos “naming rights” para os ginásios e estádios brasileiros. Além dos diversos benefícios tangíveis e intangíveis desta prática, o aporte financeiro também contribui para o que os proprietários de instalações esportivas as mantenham em condições dignas para oferecer aos seus públicos o conforto e o entretenimento à altura dos espetáculos realizados.

Apesar da afirmação acima, é importante ressaltar que manter as estruturas de competição sempre conservadas e intactas independe do investimento realizado por uma empresa interessada em nomear o local. Essa é uma responsabilidade inerente  ao gestor do patrimônio e deve ser realizada de maneira constante. Para isso, é fundamental que os custos sejam provisionados e priorizados dentro do orçamento da instituição. Não deveria ser diferente.

Mas neste último fim de semana, assistimos a dois exemplos clássicos de como ainda estamos longe do ideal, sejam os equipamentos de propriedade privada ou pública. Em ambos os casos até é possível culpar a “mãe natureza” pelo ocorrido. Explica mas não justifica, pois sabemos que ambas as situações houve descaso daqueles que deveriam zelar pelo bem do esporte.

As cenas vistas no Estádio São Januário, no Rio de Janeiro, foram típicas dos campos de várzea da década de 90. Relevo as más condições do gramado, mas em pleno 2015 o túnel de acesso aos vestiários estarem com água na altura da cintura, fazendo com que jogadores de futebol profissional tenham que atravessar a correnteza para chegar ao vestiário é inadmissível. Nem comentarei o descaso de deixar os torcedores em locais descobertos e expostos, pela ausência de cobertura nas áreas de assentos populares.

Mas não foi só o futebol que protagonizou “vergonha alheia” aos profissionais de marketing esportivo. Em Brasília, o torneio Quatro Nações de handebol feminino, que reuniu a nata mundial do esporte, teve que ser suspenso e realocado devido a goteiras no Ginásio Nilson Nelson, administrado pelo governo do Distrito Federal. Neste caso, o impacto foi ainda mais negativo do que em São Januário.

Isso porque, apesar de amistoso, o torneio teria tudo para ser um sucesso. Conseguiu bons patrocinadores – Banco do Brasil, Correios e Asics -, ativações criativas com o público e atletas e, para coroar, transmissão ao vivo pelo SporTV. Ou seja, condizente com o nível atual do nosso mercado e com a importância da nossa seleção de handebol feminina campeã mundial.

Mas a ausência de manutenção do ginásio ruiu toda essa estratégia. Goteiras fizeram com que a “solução” para que os jogos acontecessem fosse um local fechado ao público e sem condições para uma transmissão pela TV. Enfim, se tornou um quadrangular secreto resultando em um prejuízo imenso a todos os envolvidos.

E o pior é que essa não foi a primeira vez!

2 comments

  1. Oi David td bem?

    Me lembrou 2006, quando houve Mundial de Basquete Feminino no Brasil e o Ibirapuera protagonizou, para todo o planeta ver, a mesma vergonha alheia, como vc bem disse.

    São quase 10 anos desde então e, pelo jeito (ou seria “como sempre”), não aprendemos nada.

    O que me impressiona mais é que a indústria cresceu em todas as pontas, mas a da infraestrutura – e a gestão dessa infra – é a que menos acelerou.

    Deixando de lado os “estádios de Copa” e Futebol em si, te convido a pensar nas nossas “arenas médias” – ou seja, que comportem de 10 a 15/20 mil pessoas.

    Continuam sendo as mesmas de décadas atrás.

    Sem números para embasar a opinião, acho que crescemos como rotas de espetáculos e modalidades esportivas “de quadra” (inlcuo aí o MMA e os torneios de tênis indoor) que justificassem esse tipo/dimensão de aparelho.

    A NBA só faz Global Games na Arena HSBC, no RJ – o que deixa os fãs paulistas de basquete frustrados – porque é a única com condições e padrões mínimos exigidos pela Liga.

    Enfim, buraco mais embaixo. Enquanto não atacamos as causas, vamos ver mais reprises disso tudo.

    abraço!

    Curtido por 1 pessoa

    1. Neto,
      Novamente, muito obrigado por enriquecer o blog com comentários informativos e altamente relevantes. Você tem toda a razão. Infelizmente esse é ainda um gargalo que precisamos solucionar. Isso sem falar que às vezes mandamos jogos internacionais em quadras “poliesportivas”, com linhas de outras modalidades evidentes na quadra. Isso confundo o espetador.

      Mas a questão de manutenção é um tema sério e deveria ser prioridade para os gestores.

      Um grande abraço
      David

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