O impacto da Calamidade Pública nos Jogos Rio 2016

A decretação do Estado de Calamidade Pública pelo governo estadual do Rio de Janeiro recentemente contribuiu para deixar os brasileiros ainda mais receosos sobre o sucesso dos Jogos olímpicos Rio 2016. Essa afirmação de que não tem recursos para cumprir suas obrigações junto ao evento, gera um desconforto natural na sociedade, que passa a se preocupar se o país irá zelar por sua imagem internacional nesta reta final de preparação e pelo menos deixar uma boa impressão de que soube usar os 7 anos que teve para por de pé o maior evento esportivo do mundo.

Mas é preciso entender qual é efetivamente o impacto dessa atitude na realização dos Jogos. Há pouco menos de 50 dias, tudo o que deveria ter sido feito, já está concluído. O que ainda resta, será finalizado. Ainda que seja do jeito brasileiro, em cima da hora, mas estará pronto. Portanto, no meu ver, o risco desta atitude do governo estadual ao Rio 2016 é baixo.

Aliás, a análise deve ser feita de uma ótica inversa. Ao decretar Calamidade Pública, o governo estadual se exime da responsabilidade assumida, jogando-a nas mãos do âmbito federal. E, se for verdade a informação de que houve um alinhamento entre as duas esferas antes do anúncio, ouso dizer que tratou-se de uma jogada para justamente salvar os Jogos.

Para entregar um evento dessa grandeza, entidades privadas e setor público devem, obrigatoriamente, trabalhar em conjunto. É impossível obter sucesso se ambos não estiverem alinhados e progredindo em sintonia. E essa premissa foi seguida na organização do Rio 2016. Tanto que grande parte das obras necessárias e, portanto, dos recursos financeiros, provieram de PPP (Parceria Público Privadas).

Foram três os pilares de investimentos definidos no caderno de encargos do Comitê: os de responsabilidade da entidade, com recursos privados e destinados aos equipamentos técnicos e de competição; os de infraestrutura pública de suporte ao evento, cujos orçamentos foram divididos entre órgãos públicos e iniciativa privada; por fim, obras de legado também com verba pública e de PPP.

Esse planejamento, apesar de ter sido cumprido à risca também enfrentou obstáculos desde o seu início. Aliás, acho que os preparativos nunca sofreram com tantos problemas, sua grande maioria inéditos (Zika, Baia de Guanabara, etc). E sabemos que outros tantos riscos foram gerenciados de forma a ficarem resguardados da opinião pública – o que foi importante para serem solucionados sem maiores estresse.

Portanto, num país onde não sabemos quem estará no governo no dia seguinte, a última coisa que devemos nos preocupar é a intervenção do Estado nos Jogos.

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