Brasil ganha e COB perde com eleições

No último domingo, milhões de brasileiros foram às urnas escolher quem irá governar as milhares de cidades espalhadas pelo país. E o resultado dessas eleições revelou que o povo – de maneira geral – quer mudanças. Nomes considerados tradicionais da política foram preteridos, em muitos casos, por novas lideranças, que via de regra, apresentaram ideias modernas de gestão e estilos mais condizentes com o mundo atual.

Se na política, finalmente, teremos uma renovação e a esperança de dias melhores, infelizmente, não podemos dizer o mesmo no mundo do esporte. Isso porque nesta terça-feira também houve eleições. Só que desta vez, para a presidência do Comitê Olímpico do Brasil (COB). Diferentemente do que vimos nas ruas, na entidade maior do esporte nacional o interesse, parece, é o de “andar para trás”.

Minha colocação acima nao deve ser interpretada de maneira nenhuma como uma crítica direta ao Sr. Carlos Nuzman. Pelo contrário. Entendo que ele foi fundamental para o desenvolvimento e maturidade do esporte nacional em vários aspectos, inclusive até mesmo com a realização da primeira Olimpíada na América do Sul.

Mas convenhamos, seis mandatos e um total de 25 anos presidindo a entidade é algo que não deve mais ser tolerado nos dias de hoje. O que mais o Nuzman tem para aportar ao COB depois de todo esse tempo? Entendo que muito pouco. Aliás, entendo que tenha perdido a chance de aproveitar o melhor momento de sua história, neste ápice pós melhores Jogos Olímpicos da história, para se aposentar.

O problema, no entanto, é outro. E pior. Nuzman concorreu sozinho! Isso mesmo…não houve adversários. Confesso que não assimilo o fato de não haver, nem sequer, uma nova liderança na gestão do esporte nacional. Alguém mais atual, carismático e que pudesse – no mínimo – fazer um contraponto de ideias e visões sobre o futuro esportivo do Brasil? Ou que seguisse as mesmas diretrizes, por que não?

Compreendo que no submundo do COB e das Confederações os conchavos e amarras políticas são muito similares às que estamos acostumados a ver em Brasília. E neste campo, Nuzman tem sido um grande articulador e conseguido dizimar qualquer possível levante de algum opositor. Talvez explique, mas certamente não se deve justificar a perpetuação de poder.

Afinal, se ele já conseguiu alterar o estatuto da entidade uma vez para lhe assegurar a permanência no poder após os 70 anos de idade (visando os Jogos Rio 2016), deveria agora mudar novamente, desta vez limitando a quantidade de termos da função do presidente. Algo saudável e importante para a gestão esportiva. E para ele também!

Se isso não acontecer e o bastão não mudar de mãos, corremos o risco de ter um novo caso cujas cenas já são conhecidas por terem sido protagonizados por outros dirigentes como Ricardo Teixeira, Del Nero, Coaracy Nunes, Mamedes, etc…

Não queremos isso. Nem na política nacional, nem no esporte.

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