Choque de realidade do MKT Esportivo brasileiro

A realização da Copa do Mundo da FIFA e dos Jogos Olímpicos Rio 2016 foi um grande divisor de águas do Marketing Esportivo brasileiro. Os anos de preparação para esses eventos fez o segmento se popularizar, desenvolver e atingir  maturidade de nível global.  Enfim, foi uma década e tanto para todos os envolvidos nesse “mundo”. O futuro, todos pensavam, seria bastante promissor.

Continuo achando que será, mas a realidade, pelo menos momentânea, tem contrariado um pouco as expectativas. O fim desse ciclo desencadeou um movimento, até considerado natural, de auto-ajuste do mercado. Uma espécie de “choque de realidade”. Realidade essa que não difere muito daquele período do início dos anos 2000.

Percebo que voltamos ao sistema binário de “venda de qualquer coisa a qualquer um”. Aquele Marketing Esportivo 1.0 em que agências buscam projetos para revende-los a qualquer custo a potenciais patrocinadores, que por sua vez, tentam se reorganizar para encontrar uma plataforma esportiva que entregue prioritariamente visibilidade, sem muita preocupação com resultados de negócios e/ou melhoras de reputação.

Qual grande ativação vimos desde o fim dos Jogos? Indo além, qual grande notícia foi veiculada recentemente sobre um grande negócio de MKT Esportivo no Brasil que nos enche de orgulho? Mas voltamos a ver ações de curto prazo e de oportunidade, indo de encontro ao benchmark que os grandes eventos nos proporcionou em como trabalhar o esporte.

Enfim, o mercado parece meio confuso. Em vez de crescermos, retraímos! Tomara seja a esperada ressaca pós-olímpica, talvez resultado da “crise”.

Fato é que a eficiência que a Copa e as Olimpíadas nos trouxeram se chocam com a deficiência crônica de nosso mercado. Difícil apontar o dedo para um culpado, afinal trata-se de apenas uma percepção pessoal. Mas para um profissional do meio e que teve a oportunidade de acompanhar essa grande evolução, certamente, vejo que neste momento estamos andando para trás.

4 comentários em “Choque de realidade do MKT Esportivo brasileiro

  1. O problema do Brazil na minha opinião ainda é a dependência e o monopólio da TV aberta. Os EUA não são parâmetro porque tem capacidade de ter várias ligas e plataformas fortes. E um mesmo público consegue se engajar em futebol americano, beisebol e basquete…sem contar a NHL ou a Nascar. Na Europa e Asia além do futebol tem handebol, volley e até rugby e cricket.
    No Brasil o basquete e o volley ainda não engajam tanta gente. Temos o automobilismo que vive de uma emissora e os esportes olímpicos que são quase atividades de nicho.
    Na minha opinião então, o que falta mesmo é o povo aceitar dividir a paixão e a dedicação ao futebol a um outro esporte. O surfe está se consolidando como esporte, por conta também dos nossos novos heróis. Agora para o ano que vem já vão mudar o WT da Barra, que estava se transformando num maracanã de tão popular, para Saquarema…acho um tiro no pé, pois infelizmente o esporte no Brasil ainda depende de grandes massas e uma enorme audiência para ser viável como uma plataforma de marketing esportivo de sucesso.
    Acho que o mercado precisa amadurecer sim. Mas ainda há trabalho de base para as confederaçoes e clubes tornarem seus produtos mais comerciais. O problema é que falta apoio e dinheiro. Então chegamos ao impasse do que vem primeiro…o patrocínio ou o produto estruturado? Não acho que seja algo simples que tanto a Copa ou a Olimpiadas poderia ter resolvido.

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    1. Henrique, em primeiro lugar agradeço sua interação e comentário. Eu concordo com o seu ponto de vista e vou além. Infelizmente, a TV aberta brasileira, sob domínio da TV Globo, faz um desserviço ao esporte nacional. Cercear a visibilidade de marca e manipular a agenda esportiva afugenta quem tem interesse em investir em modalidades esperando retorno de exposição de marca ou até mesmo de associação de atributos. No post, quis dizer que tivemos uma grande oportunidade de aprendizado com os dois maiores eventos esportivos do mundo e, basta eles irem embora, para voltarmos para o marketing esportivo do futebol, oferecendo apenas propriedades tradicionais para quem não vê o esporte como negócio de longo prazo. Realmente pensei que estaríamos em outro nível, próximo até do que encontramos mundo afora, mas não, mantivemos a busca pelo fácil e se apoiando em desculpas como crise, ressaca, etc….precisamos acordar!

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      1. Eu que agradeço pelo seu blog. Muito bacana e oferecendo um super aprendizado de ” dentro” para todo o mercado. Concordo com tudo que disse. Mas torcer que em algum momento as coisas mudem. Grande abraço.

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