Os amigos do Brasil

Sempre me disseram que era bom e importante ter vários amigos. Me ensinaram também que a amizade deve ser valorizada, pois os camaradas de verdade sempre estarão ao lado para dar aquela forcinha quando mais precisa. E, por incrível que pareça, o que vivemos hoje no Brasil, esse ritual de passagem a limpo e intenção de moralização que assistimos pasmos, curiosamente, advém dos laços de amizade entre políticos, autoridades e alguns empresários.

Nesse caso, porém, é preciso entender melhor o significado de amizade. Para eles, deixar de ser “amigos do peito” para se tornarem “amigos da onça” é algo normal, aceitável e tolerável. Algo, diria, quase inerente ao caráter (ou ausência dele) da classe. Basta a “forcinha” não ser mais conveniente, para que a amizade se torne um belo “fogo amigo”.

Aliás, é incrível como na política e no mundo das falcatruas, esse pêndulo entre amizade e inimizade é tão evidente e dinâmico. Num dia, o sujeito é flagrado aos afagos, risos, abraços, drinques, conversas ao telefone e até manuseio de recursos financeiros sabe-se lá de quem sem o menor pudor.

Dia seguinte, porém, não se lembra de nada! Não reconhece as notas, os bens presenteados mutuamente nem das mesmas conversas gravadas de maneira propositais. E como um “bom amigo da onça”, descarrega sobre aquele mesmo antes afagado  todo o arsenal de culpa, sem nem sequer saber ao certo que tenha feito de errado.

Em tempos de delação premiada, nunca foi tão fácil conhecer os laços de amizade entre os bandidos da nação. A fórmula é simples…quanto mais agressiva for a acusação, certamente mais próximos foram os laços de amizade entre os agora desafetos. Simples constatação de que os profissionais da lealdade, quando acuados, cumprem bem o dito “amigos, amigos, negócios à parte”.

Enfim, hoje o amigo do amigo, que deveria ser também amigo, certamente não mais o é quando a amizade não já o interessa. Se torna inimigo, o que faz com que outros inimigos hão de se tornar amigos. Já dizia Sun-Tzu para aliar-se aos inimigos caso não seja possível combate-los.

Bom, fato é que para o bem geral da nação, a “amizade” nunca foi tão celebrada. Afinal, quem tem amigo assim, não precisa de inimigo.

 

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